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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sociedade Recreativa Colibri do Campo: 2011 promete!

(matéria publicada originalmente no jornal Folha de Sabará,
edição 762)

A Sociedade Recreativa Colibri do Campo trará ao carnaval sabarense, neste ano, uma história de guerra e paz. Trata-se da lenda das tribos Jaci e Guaraci, Carnaíba e Aruquê. O samba enredo 2011 se torna atual por contar uma história de dualidades, e rivalidades: As tribos cultuavam deuses diferentes, e guerras motivadas pelas divergências de crença e costumes marcaram com sangue a história dos índios, até que, guiados pela tribo Tupi, as tribos inimigas deixaram as rivalidades de lado para então realizar uma grande festa de paz.

A própria Colibri trás consigo uma história de morte e renascimento. Criada em 1987, no Campo Santo Antônio, a escola desfilou duas vezes, para então interromper suas atividades por 17 anos. Em 2008, a paixão pelo carnaval levou Cássio Batista Gomes, presidente carnavalesco do Colibri pelo terceiro ano consecutivo, a reunir um grupo de amigos e abraçar o desafio de colocar a escola em funcionamento novamente. Com o passar do tempo, o desafio mostrou ser uma batalha enorme: faltavam documentos e registros necessários. “Procuramos a antiga diretoria e eles não tinham documentos, registros de atas, CNPJ... Corremos atrás de tudo”, conta o presidente. Os foliões lutaram para reerguer a Colibri, passando por situações complicadas e suando a camisa para colocar a escola nas ruas outra vez. “Pensei muitas vezes em largar tudo, é muito sacrificante, mas por carinho à escola continuei até conseguir”, conta Cássio. 


“Minha casa, e a de alguns outros membros da Colibri, na época de produção do material para os desfiles, vira um barracão. Abro minha casa, cedo o espaço, meu tempo... é o trabalho de uma vida”, declara. Cássio conta que, além de fazer bonito no carnaval, a Colibri se preocupa em manter em dia a prestação de contas com a prefeitura, que cede uma verba às escolas de samba. “Passo o ano inteirinho cuidando dos assuntos da escola. É dedicação e carinho pela escola que me movem.”


O presidente, que guia a escola de peito aberto durante todo o ano, conta que todo o esforço e sacrifício se fazem valer. “Todo ano choro. Na hora em que vejo a escola na rua, que o povo começa a cantar o samba, a bateria tocando... Isto me preenche, é muito gratificante. É muito satisfatório ver nosso trabalho sendo aplaudido pelo povo nas ruas.”


A S. R. Colibri do Campo promete impressionar os foliões no desfile deste ano, e convida todos os sabarenses à prestigiar a apresentação. No sábado, será a primeira escola a se apresentar, às 20h. Na segunda-feira, será a terceira, às 22h. “Esperamos superar os anos anteriores, e vamos nos preparar para fazer melhor ainda em 2012” finaliza Cássio, com a empolgação de mostrar à comunidade o esforço de todo um ano.
Samba enredo 2011 - S. R. Colibri do Campo


Guaraci, Jaci e Rudá, os espíritos da Floresta!
Autora: Tânia Mara

Colibri vai contemplar,

Lua Poré e Sol Purá,

Tupi fez se reencontrar,

Os Deuses e o amor Rudá.

Os Carnaíbas e os Aruquês,

Eram tribos inimigas,

Cada uma tinha o seu Deus,

A quem cultuava em devoção,

Os Carnaíbas cultuavam o sol,

Que em sua crença era o deus Purá,

E os Aruques adorara um deus,

Também chamado de lua Poré.

E hoje a Colibri do Campo,

Nos ensina a lição,

Cada um de nós tem um índio,

Que se esconde na nossa emoção,

Traga logo o seu pra avenida meu bem,
Deixa apitar a voz do seu coração!

Depois de tantas guerras,

Entre as tribos rivais,

Alegrando a Colibri,

Guaraci e Jaci hoje trazem a paz.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Rio “engole” faixas de terra em General Carneiro

(matéria originalmente publicada na edição 761 do Jornal Folha de Sabará)
Moradias localizadas à beira do rio correm o risco de serem destruídas pela correnteza
 
No centro comercial do bairro General Carneiro, cerca de 20 famílias vivem à margem de um pesadelo. O rio, que antes cumpria seu percurso natural e não ameaçava as residências, mudou a vida dos moradores após uma obra de canalização em Belo Horizonte.
A área representa mais do que moradia para as famílias que lá residem. É lá também que estas pessoas têm seu ganha pão. O comércio, junto com as casas, corre o risco de se desfazer correnteza abaixo.
Segundo Dante Júnior, que vive em uma das casas ameaçadas pelo volume do rio, os moradores da área entraram em contato com a prefeitura de Belo Horizonte quando a obra que faria a canalização do rio Arruda foi iniciada na capital. Como resposta, veio a afirmação de que esta abrangeria também Sabará. Porém, na prática, ela foi realizada apenas até a divisa das cidades. “A correnteza do rio vem muito intensa para cá depois que a canalização foi feita”, afirma o morador.
A obra que, na teoria, seria benéfica para todos, acabou se tornando uma dor de cabeça para uma parcela da população de General Carneiro. O rio alterou seu curso e já tomou grande parte do terreno da área. Dante conta que o rio já levou extensões de terra com várias árvores frutíferas. “O nosso medo é que ele leve, agora, as construções, que são antigas, que foram feitas quando este espaço não era considerado área de risco. Não há mais terra para resistir, para segurar o rio. Por isso, há urgência em construir um gabião, para impedir que a terra ceda ou enfraqueça a estrutura das casas.”
Dante conta que a empresa FCA (Ferrovia Centro Atlântida) desenvolveu um projeto de contenção em apenas um lado do rio, onde havia a rede ferroviária. Segundo o morador, o projeto não abrangerá a outra margem do rio e prejudicará ainda mais a área de risco, atualmente.
Segundo o Sr. Nizio Rocha, morador antigo da região, ele nunca viu o Rio Arrudas chegar tão perto das casas como agora,e espera que este problema se resolva o mais rápido possível para que os moradores não percam seus lares, como tem acontecido no Rio de Janeiro e São Paulo.
Os moradores dessa área entraram em contato com a prefeitura de Sabará e conseguiram com que fosse feito um estudo do local e topografia. O deputado Wander Borges, que assumiu recentemente a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, se reuniu com os moradores no local no dia 30 de dezembro de 2010 e já conseguiu a liberação do projeto de contenção, que está sendo elaborado por uma empresa especializada. Estiveram presentes também, na reunião, os Vereadores Waltair Rodrigues e Gilson do Araújo.
De acordo com o deputado Wander Borges, após a conclusão do projeto a Prefeitura entrará em contato com os moradores e nova reunião será agendada, para definir os novos passos a serem seguidos.
Por enquanto, resta aos moradores lidar com a sensação de vulnerabilidade a cada chuva. Dante, que mora com seu pai, esposa e filho, teme que a demora em uma ação definitiva, como a construção de um gabião, possa representar perdas mais significativas.
Wander Borges afirma que o ideal é que seja feita uma obra semelhante àquela que a Prefeitura está realizando às margens do Rio Sabará, mas tudo dependerá do custo.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Governador Distrital visita o Rotary Club de Sabará


(Publicado originalmente na edição 757 do Jornal Folha de Sabará. http://www.folhadesabara.com.br)
No último dia 18, José Luiz Scaglioni Filho, governador do distrito 4520 do Rotary Club, e sua esposa, Iris Ribeiro de Lacerda Scaglioni, visitaram os rotarianos de Sabará. A vinda foi comemorada com festividade no Clube Cravo Vermelho, onde rotarianos e convidados se reuniram.
O Rotary Club é uma Organização Não Governamental (ONG), presente em, aproximadamente, 250 países, que realiza projetos sociais e humanitários, propagando a ideia de que é necessário “dar de si antes de pensar em si.” Segundo o governador distrital, o Rotary é constituído por pessoas da comunidade que se colocam a disposição do social, defendendo a bandeira de “fortalecer comunidades e unir continentes”. São 33.869 clubes no mundo, e 2.343 no Brasil. O Distrito 4520 reúne 30 cidades de Minas Gerais, com 47 clubes.
O governador distrital José Luiz Scaglioni Filho ingressou no Rotary Club no ano de 2000, na cidade de Itabira, onde também atua como pediatra em clínica própria e voluntariamente na Associação de Proteção à Infância Nosso Lar Itabira. “O Rotary é uma ONG de grande importância para as comunidades em todo o mundo,” afirma.
“O Rotary se dedica a produzir projetos de educação, assistenciais e de preservação do meio ambiente nas comunidades através do globo”, declara o governador do distrito 4520. Segundo ele, a principal bandeira do Rotary a nível mundial é a erradicação da poliomielite, também conhecida como paralisia infantil. “Desde 1985, o Rotary tem lutado para acabar com a paralisia infantil no mundo. Já vacinamos, aproximadamente, dois bilhões de crianças através do globo”.
Em sua vinda a Sabará, o governador do distrito 4520 conheceu projetos realizados pelo Rotary Club de Sabará. “O Rotary Sabará é antigo, tradicional, e as pessoas se dedicam muito. Eles fazem bons trabalhos na comunidade. Apóiam o projeto Vita Vida, que fornece 36.000 refeições mensais à creche Lar de Maria, ao Grupo das Samaritanas, à Santa Casa de Misericórdia e ao Lar dos Idosos José Verçosa, entre outros. Realizam também a Noite Italiana, que é muito importante para a fundação rotária, que coleta fundos para as ações rotarianas.”
O governador indicado para suceder a gestão do Distrito 4520 nos anos de 2012/13 é o rotariano Agassis Martins Jr., que pertence ao Rotary Club de Sabará. Agassis foi presidente do Clube em três gestões, além de exercer as funções de Diretor da Comissão de Eventos e Oficial de Intercâmbio.
O presidente do Rotary Club Sabará, Emerson Martins Sepúlveda, se diz muito satisfeito com a visita. “A família rotariana sabarense se sente honrada e agradece a visita do governador José Luiz Scaglioni e esposa Íris aos projetos realizados pelo Rotary Sabará.”

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Rumo aos 100


Aos 99 anos, o sabarense Hermano Ramos tem muita história para contar


Vindo de uma família de nove filhos, Hermano Ramos perdeu o pai muito novo. A perda fez com que ele buscasse trabalho ainda jovem para ajudar a mãe, Maria do Carmo Ramos, e com 18 anos estava empregado na Prefeitura de Sabará, capinando ruas. Aos 25 anos, ele ingressou na Belgo Mineira, empresa para qual prestou serviço por mais de 40 anos. Suas experiências profissionais, porém, iam além dos muros da mineradora. Seu Hermano, que sempre gostou muito de viajar, buscava em São Paulo produtos variados, de peças do vestuário a eletrodomésticos, para revender por conta própria em Sabará. Ele também marcou a história da cidade como vereador na gestão do prefeito Vítor Fantini, trabalhou como pintor e até se aventurou nos campos de futebol, como ponta esquerda. Ainda se lembra muito bem de quando comemorou o título de campeão mineiro, em 1964, jogando no clube de futebol Siderúrgica.

Hermano casou-se aos 25 anos, com Maria Raimunda do Nascimento Ramos. A esposa faleceu em 1991, aos 77 anos, deixando-o sob os cuidados dos filhos. Com 92 anos, seu Hermano namorou Dona Augusta, uma senhora sabarense dez anos mais jovem. O relacionamento durou seis anos, mas a amizade perdurou, numa relação de carinho e consideração que foi até homenageada no programa global “Fantástico” em 2004, no quadro apresentado por Regina Casé.

A tarefa mais estimada por Hermano nada tinha em comum com campos de futebol ou quaisquer ocupações anteriores. Apaixonado por música desde muito jovem, Hermano aprendeu com Seu Juca “Ferrugem” a arte de tocar saxofone, aos 19 anos. Ele conta que a paixão pela música é uma herança: seu pai, Francisco de Paula Rocha, o “Chico de Rita”, tocava prato na Sociedade Musical Santa Cecília. A Sociedade Musical também foi o destino de seu Hermano, que tocou saxofone na banda Santa Cecília por 67 anos, com um pique invejado por muitos.

Na Santa Cecília ele fez grandes amigos, alguns deles vivos até hoje, e encontrou na banda uma fonte de energia e vitalidade que o guiou por uma vida ativa até os 94 anos. A tontura constante e a boca seca levaram seu Hermano a se despedir da Sociedade Musical Santa Cecília e de seu instrumento de sopro favorito, mas ele mantém vivos na memória seus tempos de saxofonista, quando se divertia se apresentando junto à banda em bailes e encontros musicais. Dançarino nato, ele não perdia uma festa no Cravo Vermelho ou no Mundo Velho, clubes dos quais é sócio. Resquícios de uma juventude festeira e bem aproveitada: Hermano participava das comemorações católicas, saía fantasiado no carnaval e até hoje se lembra muito bem a qual bloco pertencia: “Eu era Moralistas do Samba”, afirma orgulhoso.

No dia 20 de outubro, Hermano será o mais novo cidadão centenário do Brasil. Tido pelos filhos como um homem honrado, direito, um exemplo de pai e de homem, seu Hermano é um dos idosos que conta com o apoio e cuidado da família, essenciais na vida de quem já passou por uma jornada árdua de mais de meio século de vida.

Com 7 filhos, 23 netos, 6 bisnetos e 1 tataraneto, seu Hermano, hoje em dia, gosta de curtir o sossego de sua casa, que divide com a filha Maria da Conceição Ramos. O segredo de uma vida tão longa? “Muito trabalho”, declara.


(esta matéria foi originalmente publicada no Jornal Folha de Sabará, no dia 01 de outubro de 2010)